
(forever slave...)
escravos somos
até quando e se
nos libertamos
a lua é escrava da terra
a terra é escrava do sol
o sol é escravo do universo
o universo é escravo da nossa mente
e nossa mente é escrava de si mesma
somos
dirigidos por leis cósmicas
pela natureza
pela brisa que sopra
pelo ar que respiramos
a água que bebemos
nos dita
a velocidade dos nossos passos
e o alimento que digerimos
submete-se
às nossas glândulas salivares
cada célula
dá sua ordem
e assim é
pode rebelar-se
multiplicar-se
à rivelia
ou mesmo levar
um ser à morte
um simples
fio de cabelo
um poro
até então desconhecido
direciona
todo teu corpo
e obriga-te
a ir de encontro
a um outro pêlo
longe e distante
um cheiro
impregnado no ar
muda teu rumo
e, como fera, caças
se caminhas com pressa
para um compromisso qualquer
e se te encontras com alguém de repente
que de tudo o faça esquecer
és livre para seguir?
teus lábios secos
são umedecidos pela tua saliva
mas nada se iguala em prazer
a um gole d’água
quando sedento
o beijo ardente
do ser amado
arrebata e aprisiona:
teu corpo magnetizado
entrega-se e se abandona
(também detesto escravidão
mas não consigo
desvencilhar-me
dos grilhões da vida...
por exemplo,
é um absurdo
quatro horas da manhã
eu aqui presa
a um papel
a um lápis
escrava dos
meus pensamentos
e desejos)
SEI QUE TUDO É MAYA...
assumo pois minha condição:
escrava de mim
escrava de ti
da vida
do amor
da poesia
que vem
e
finalmente
me liberta...
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