
FINAL DE CICLO
Afinal
Sementes
Já foram plantadas
No adubado terreno
Resta esperar os frutos
Que virão a ser
Não mais o prazer
Do toque
Ou da conquista
Da pele na pele
Do beijo ardente
De corpos quentes
Paixões desmedidas
Mal-resolvidas
Nem bem iniciadas
No inverno
O mundo dos homens
Assim decreta
O fim do ciclo
E instala
O circo do terror
Caricaturas horrendas
Contorcem-se
Em gargalhadas grotescas
Pensam
Que destruíram o amor
Como se enganam!
Na primavera
Os pássaros refazem seus ninhos
E os animais se reproduzem
As árvores multiplicam-se
A natureza não quer saber
Nem toma nota
Das imundícies
Incessante despeja
Seu orvalho matutino
sobre as plantas
E decreta
O fim da noite
O sol raia brilhante
E a todos inunda:
Poderoso deus
A flor despede-se
Encolhe-se e morre...
É só!
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