Quimeras da mente
que mente?
deverás saber
que a dor mente
dormente
quimera!
Quimeras do corpo
que corpo?
deverás fazer
que a cor rija
corrija
quimera!
Quimeras do espírito
que espírito?
deverás soprar
que és lindo
lindo sopro
quimera!
II
O que é dor?
O que é dormente?
e o que não é?
O que é tolo?
que é inclemente?
e o que não é?
Um quê doloso
que é pungente
que apenas é
O que quero?
O que é minha mente?
e o que não é?
O que espero?
O que não sente?
e que apenas é?
Quimera seja!
Quimera almeja!
Quimera é!
III
Quimera eu querer saber
que quem sabe faz acontecer
clamara eu alto o entardecer
de quem já sabe o bem fazer
Quimera eu astro luzeiro ser
quem quer que seja apenas é
chamara eu rastro do evanescer
de universos puros para acolher
Quimera essência de quimeras
cortejo plúmbeo de eternidades
quimeras puras, invencíveis
contemplam sopros invisíveis
Quimera eu pântano abissal
quem dera fundo e colossal
urdir o mundo na profundeza
de firmeza retumba a natureza
Minha era – quimera – é a Apoteose
de incontáveis estrelas em osmose
sístoles e pulsos imensuráveis
sinapses e encontros indecifráveis
Quimera é meu sonho, a overdose
de amores intermináveis
quimera de amores eternos possíveis
flagelos e horrores impossíveis
IV
Quimera é o desejo
é o consumir-se
é o lampejo do beijo
a confundir
quimera é o amplexo
do imperscrutável
a luz inefável
o fim do que vive
Quimera é a vida
oh doce quimera!
de cruzes, luzes,
arcabuzes
de guerras
de passos, de acasos
quimeras
quem erra ou o que eras?
planetas espaços deveras?
percalços pedaços de eras
de tempos estilhaços
quimeras, quimeras
Quimeras, és vida
és turba e broquel
alcalina pérola
és presa e és fel
Quimeras, és fria
és quente, és véu
alcantilada serpente
és lirial e és mel
Quimeras, mistério
processo e oceano
de tudo o que apenas é
quimera!
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